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                     Semana de Arte Moderna                                          

Semana da Arte   Moderna  

 Artista Lucia  Mesquita luciamesquitableaby@gmail.com    Escritório D'Arte Av:  Santos Dumont 1267  Aldeota  cep: 60150160 sala  1002  Fortaleza ceará   Brasil

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Realizada no Teatro Municipal de São Paulo nos dias 13, 15e 17 de fevereiro de 1922, a Semana de Arte Moderna  organizada por Mário de AndradeOswald de AndradeMenotti del PicchiaManuel BandeiraTarsila do AmaralVilla-Lobos e outros, marca o advento do modernismo brasileiro e é o ponto de encontro das várias tendências modernas que vinham, desde a Primeira Guerra Mundial (1914-18), se firmando em São Paulo e no Rio de Janeiro. Também foi um acontecimento que acabou, com o passar do tempo, consolidando certos grupos e suas idéias, os quais passaram a possuir um espaço cativo em livros, revistas e manifestos. Essas idéias, porém, só seriam completamente aceitas depois de alguns anos, quando chegaram a outros Estados brasileiros. Em Minas Gerais, foi acolhida por artistas como Carlos Drummond de Andrade, Pedro Nava, Emílio Moura, Abgar Renault e João Alphonsus. No Rio Grande do Sul, Mário Quintana, Augusto Meyer, Pedro Vergara e Guilhermino César acabariam aderindo às idéias modernistas. E também no Nordeste, onde surtiu efeito nas obras de José Américo de Almeida, Jorge de Lima e outros.                                                                                                   

       
Tarsila, Abaporu

O Modernismo Brasileiro é um movimento de amplo espectro cultural, desencadeado tardiamente nos anos 20, nele convergindo elementos das vanguardas acontecidas na Europa antes da Primeira Guerra Mundial - Expressionismo, Cubismo e Futurismo - assimiladas antropofagicamente em fragmentos justapostos e misturados. A predominância de valores expressionistas presentes nas obras de precursores como Lasar Segall e Anita Malfatti e no avançar do nosso Modernismo, a convergência de elementos que sinalizam a emergência do surrealismo que estão na pintura de Ismael Nery e de Tarsila do Amaral na sua fase mais radical da antropofagia, além de Vicente do Rêgo Monteiro. É interessante observar que a disciplina e a ordem da composição cubista constituem estrutura básica das obras de Tarsila, Antonio Gomide e Di Cavalcanti. No avançar dos anos 20, a pintura dos modernistas brasileiros vai misturar ao revival das artes egípcia, pré colombiana e vietnamita, elementos do Art Déco. São Paulo se caracteriza como o centro das idéias modernistas, onde se encontra o fermento do novo. Do encontro de jovens intelectuais com artistas plásticos eclodirá a vanguarda modernista. Diferentemente do Rio de Janeiro, reduto da burguesia tradicionalista e conservadora, São Paulo, incentivado pelo progresso e pelo afluxo de imigrantes italianos, será o cenário propício para o desenvolvimento do processo do Modernismo. Este processo teve eventos como a primeira exposição de arte moderna com obras expressionistas de Lasar Segall em 1913, o escândalo provocado pela exposição de Anita Malfatti entre dezembro de 1917 e janeiro de 1918 e a ‘descoberta’ do escultor Victor Brecheret em 1920. Com maior ou menor peso, estes três artistas constituem, no período heróico do Modernismo Brasileiro, os antecedentes da Semana de 22. A Semana de Arte Moderna de 22 é o ápice deste processo que visava atualização das artes, e a sua identidade nacional. Pensada por Di Cavalcanti como um evento que causasse impacto e escândalo, esta Semana  proporcionaria as bases teóricas que contribuirão muito para o desenvolvimento artístico e intelectual da Primeira Geração Modernista e o seu encaminhamento, nos anos 30 e 40, na fase da Modernidade Brasileira.


Vicente do Rego Monteiro, A mulh
ANTECEDENTES DA SEMANA

Para se entender o processo do movimento modernista brasileiro é necessário olhar para o contexto das duas primeiras décadas do século: ainda muito presos ao academicismo e às influências francesas da belle époque, alguns jovens de São Paulo, intelectuais e artistas começam a sentir a necessidade de uma atualização das artes, ao mesmo tempo que uma busca de identidade nacional, através do retorno às raízes culturais do país. Estes anseios de modernização e de nacionalismo são desencadeados pela Primeira Guerra e pela proximidade dos festejos do primeiro centenário da Independência. As informações fragmentadas sobre as vanguardas vindas da Europa vão confluir com esta necessidade de renovação. Alguns eventos e exposições marcam este período e antecedem a eclosão do Modernismo Brasileiro, com a Semana de Arte Moderna de 1922. A exposição de Lasar Segall, em 1913, apesar de não causar muita repercussão, vai sinalizar contatos com as vanguardas alemãs. Entretanto, será a exposição de Anita Malfatti, em 1917, que instiga os artistas e jovens intelectuais a se organizar como grupo e promover a arte moderna nacional, que terá lugar em São Paulo, embalado pelo progresso e industrialização acelerada, contando ainda com a presença maciça de imigrantes italianos- o que acaba facilitando a ausência de uma tradição burguesa e conservadora como a existente no Rio de Janeiro. Em 1920, o grupo de jovens paulistas, já denominados futuristas descobre Victor Brecheret, recém chegado de Roma. Sua escultura pós-Rodin, as estilizações das figuras monumentais e o vigor e expressividade das tensões musculares, alongamentos e torções das esculturas causam grande impacto e, de imediato, o grupo polariza-se em torno do escultor. A partir daí sentiu-se a necessidade de um evento de magnitude e acompanhado de escândalo que marcasse estas novas direções da arte, trazidas pelos incidentes com Anita e pelo ingresso de Brecheret ao grupo - este evento será a Semana de Arte Moderna de 22.





Oswald de Andrade

1911 - Oswald de Andrade funda o periódico "O Pirralho".

1912 - Oswald chega ao Brasil trazendo da Europa o conhecimento de novas formas de expressão artística, como as de Paul Fort e as sugeridas pelo "Manifesto Futurista" do poeta italiano Marinetti. Surgem as primeiras colagens de Braque e Picasso, possíveis origens do cubismo.

ANTECEDENTES DA SEMANA


Lasar Segall, A Família


Lasar Segall, Mercadores


Lasar Segall, perfil de Zulmira

1913 - Wassily Kandinsky: Composition Vi                      ANTECEDENTES DA SEMANA


obra de Kandinsky

1914 - O francês Marcel Duchamp lança os ready-mades.


obra de Duchamp                          ANTECEDENTES DA SEMANA

1915 - O poeta Ronald de Carvalho participa no Rio da fundação
da revista "Orfeu", dirigida em Portugal por Fernando Pessoa
Mário de Sá-Carneiro.


Anita Malfati, A boba


Anita Malfati, O homem amarelo

 
Anita Malfati, O farol

1917 - Exposição de Anita Malfatti. O escritor Monteiro Lobato escreve o artigo "Paranóia ou Mistificação?", onde critica vigorosamente as inovações na pintura de Anita e se envolve em uma polêmica com os principais artistas do movimento m
O que é ser Moderno?



Tarsila, Antropofagia


Tarsila, A gare

Poucos conceitos serão tão vagos em arte quanto "moderno" ou este outro que costuma tomar seu lugar, "modernismo", uma vez que tudo que é moderno está condenado a deixar de sê-lo,  arrastando depois atrás de si apenas essa sombra ainda mais difusa que se identifica pelo sufixo -ismo. Várias coisas e idéias são ou foram modernas conforme o lugar e a época em que se produziram. E freqüentemente, aquilo que é ou foi moderno aqui e agora tem pouco ou nada em comum com o que é ou foi moderno num outro lugar embora neste mesmo agora. Em outras palavras, as noções de tempo e de contemporaneidade, que parecem essenciais à idéia de moderno, não bastam para assegurar a esse fenômeno uma identidade fixa, que permita seu reconhecimento imediato tão logo se coloque sob os olhos de um observador. O moderno é de fato uma festa móvel, que se comemora e se brinca (uma festa é para se brincar, mais do que para se comemorar) sempre em datas diferentes em lugares diferentes e com roupas diferentes. Talvez sob essas festas móveis se encontre uma mesma estrutura e um mesmo desejo, feitos da vontade de deixar de lado (tanto quanto possível) aquilo que se fazia e partir em busca de uma aventura que permita olhar de outro modo aquilo que, não raro, continua a ser a mesma coisa. É que não importa que a coisa seja a mesma; importa é vê-la de outro modo. Assim é que numa mesma data ou quase (dois ou dez anos de diferença não são nada de decisivo para a arte) e às vezes num mesmo lugar (a Europa: quando vista pelos olhos continentais do Brasil, a Europa pode ser vista como um mesmo lugar, apesar das distinções locais), o que é moderno surge sob máscaras bem distintas...




Antonio Gomide, Figuras


Tarsila, A negra 


Tarsila, O vendedor


Tarsila, Mamoeiro


Kandinsky, Autumn in Bavaria


    
Kandinsky           NEM TUDO ERA ACADÊMICO ANTES DA SEMANA...


O período da arte brasileira que vai de 1900 a 1922, ano da Semana de Arte Moderna
de São Paulo, é em geral considerado pobre e retrógrado. Teria sido vastamente
dominado pelo academicismo, por um estilo preso a convenções antigas.


 nessa etapa a arte brasileira era, na maior parte, bastante
desinformada dos movimentos que davam luz ao modernismo
na Europa da primeira década do século — como o cubismo e o dadaísmo.

Era bastante comum no Brasil uma pintura clássica, em que o 
desenho era fundamental, com temas ou mitológicos ou históricos, e a noção
de perspectiva consagrada desde o Renascimento.

 também foi significativa a chegada do impressionismo
e do neo-impressionismo, movimentos da segunda metade do século 19
europeu, ao Brasil dos anos 1900.

Sua forma de apreensão foi diferente da acadêmica. Os impressionistas brasileiros
não se limitaram a copiar o modelo europeu ou a adaptá-lo a uma temática regional.

"Eles ensaiaram uma certa autonomia, ainda que nem todos tenham entendido bem o que eram o impressionismo e o neo-impressionismo", diz.

              Victor Meirelles (1832-1903). Pintor acadêmico de renome, Meirelles reformulou sua estética no fim da vida. Ele cita como exemplo a tela "Panorama do Descobrimento do Brasil", de 1899, que está na exposição.

"Ele fez um panorama de 38 centímetros de altura e quatro metros de largura, onde o assunto, a missa, ocupa apenas um pequeno espaço ao centro." Ou seja, fez uma grande mudança na hierarquia dos elementos em sua obra.

 Henrique Cavalleiro (1892-1975). Impressionista, depois neo-impressionista, Cavalleiro foi morar em Paris em 1920 e ficou até 1924.

Lá, tomou contato com a obra de Cézanne e dos fauvistas . Quando voltou ao Brasil em 1925, começou a pintar de uma maneira aproximada à de Cézanne, em que a organização do espaço na tela tem papel fundamental.

Quanto ao fauvismo, Leite diz que um brasileiro que sofreu as influências do estilo foi Navarro da Costa. "Mas, como no caso de Cavalleiro, é uma adoção tímida e atrasada de um estilo europeu."

Mais peculiar ainda, para o curador, é a figura de Helios Seelinger (1878-1965),
que conviveu na Alemanha com a primeira geração expressionista e foi colega
de alguns dos mais importantes artistas modernos: Kandinsky e Paul Klee.

No entanto, o máximo a que Seelinger chegou foi um misto de "art nouveau"
(estilo decorativo e romântico que foi moda na Europa entre 1880 e 1925)
e expressionismo. A combinação, considerada moderna demais, provocou reações
furiosas da crítica brasileira do início do século.

 período 1900-1920 da arte brasileira ainda é pouco estudado. Artistas
como Alvim Correa, Ivan da Silva Bruhns e os citados fizeram ensaios de modernidade
que não casam com a visão do período como um bloco de acadêmicos.

Eliseu Visconti (1866-1944), o primeiro pintor impressionista brasileiro. "Ele foi também um dos primeiros a abraçar o simbolismo e a aplicar a técnica 'art nouveau' aqui",  existem alguns pontos obscuros sobre a estada de Visconti na França, entre 1893 a 1900. "Segundo Cavalleiro, ele teria conhecido Gauguin, mas eu duvido disso."

Independente de pesquisas que venham a provar a relação do pintor brasileiro
com Gauguin, 

Os esforços modernistas não foram exclusivos às artes plásticas. Eles surgiram
na literatura e, sobretudo, na música. 

"Não se deve atribuir a iniciativa de repensar o Brasil à Semana de 1922."         NEM TUDO ERA ACADÊMICO ANTES DA SEMANA...


O período da arte brasileira que vai de 1900 a 1922, ano da Semana de Arte Moderna
de São Paulo, é em geral considerado pobre e retrógrado. Teria sido vastamente
dominado pelo academicismo, por um estilo preso a convenções antigas.

Para o curador do primeiro módulo da "Bienal Brasil Século 20", o professor
da Unicamp José Roberto Teixeira Leite, não é bem assim.

Leite admite que nessa etapa a arte brasileira era, na maior parte, bastante
desinformada dos movimentos que davam luz ao modernismo
na Europa da primeira década do século — como o cubismo e o dadaísmo.

Era bastante comum no Brasil uma pintura clássica, em que o 
desenho era fundamental, com temas ou mitológicos ou históricos, e a noção
de perspectiva consagrada desde o Renascimento.

Mas, segundo Leite, também foi significativa a chegada do impressionismo
e do neo-impressionismo, movimentos da segunda metade do século 19
europeu, ao Brasil dos anos 1900.

Sua forma de apreensão foi diferente da acadêmica. Os impressionistas brasileiros
não se limitaram a copiar o modelo europeu ou a adaptá-lo a uma temática regional.

"Eles ensaiaram uma certa autonomia, ainda que nem todos tenham entendido bem o que eram o impressionismo e o neo-impressionismo", diz.

O caso de que Leite partiu em sua curadoria é o de Victor Meirelles (1832-1903). Pintor acadêmico de renome, Meirelles reformulou sua estética no fim da vida. Ele cita como exemplo a tela "Panorama do Descobrimento do Brasil", de 1899, que está na exposição.

"Ele fez um panorama de 38 centímetros de altura e quatro metros de largura, onde o assunto, a missa, ocupa apenas um pequeno espaço ao centro." Ou seja, fez uma grande mudança na hierarquia dos elementos em sua obra.

Outro caso curioso que Leite aponta é o de Henrique Cavalleiro (1892-1975). Impressionista, depois neo-impressionista, Cavalleiro foi morar em Paris em 1920 e ficou até 1924.

Lá, tomou contato com a obra de Cézanne e dos fauvistas . Quando voltou ao Brasil em 1925, começou a pintar de uma maneira aproximada à de Cézanne, em que a organização do espaço na tela tem papel fundamental.

Quanto ao fauvismo, Leite diz que um brasileiro que sofreu as influências do estilo foi Navarro da Costa. "Mas, como no caso de Cavalleiro, é uma adoção tímida e atrasada de um estilo europeu."

Mais peculiar ainda, para o curador, é a figura de Helios Seelinger (1878-1965),
que conviveu na Alemanha com a primeira geração expressionista e foi colega
de alguns dos mais importantes artistas modernos: Kandinsky e Paul Klee.

No entanto, o máximo a que Seelinger chegou foi um misto de "art nouveau"
(estilo decorativo e romântico que foi moda na Europa entre 1880 e 1925)
e expressionismo. A combinação, considerada moderna demais, provocou reações
furiosas da crítica brasileira do início do século.

Leite diz que o período 1900-1920 da arte brasileira ainda é pouco estudado. Artistas
como Alvim Correa, Ivan da Silva Bruhns e os citados fizeram ensaios de modernidade
que não casam com a visão do período como um bloco de acadêmicos.

O mais importante deles, para Leite, foi Eliseu Visconti (1866-1944), o primeiro pintor impressionista brasileiro. "Ele foi também um dos primeiros a abraçar o simbolismo e a aplicar a técnica 'art nouveau' aqui", afirma. Leite diz que existem alguns pontos obscuros sobre a estada de Visconti na França, entre 1893 a 1900. "Segundo Cavalleiro, ele teria conhecido Gauguin, mas eu duvido disso."

Independente de pesquisas que venham a provar a relação do pintor brasileiro
com Gauguin, o curador acha que foi Visconti quem deu o primeiro passo
na tentativa de uma arte brasileira autônoma. "Ali houve uma clara mudança de voz.
Ele era um grande artista."

Os esforços modernistas não foram exclusivos às artes plásticas. Eles surgiram
na literatura e, sobretudo, na música. 

"Não se deve atribuir a iniciativa de repensar o Brasil à Semana de 1922. Ela começou antes".


Lucia  mesquita.
                                                     
                                                                

     
cartaz de Di Cavalcanti
A SEMANA

Um dos principais eventos da história da arte no Brasil, a Semana de 22, foi o ponto alto da insatisfação com a cultura vigente, submetida a modelos importados, e a reafirmação de busca de uma arte verdadeiramente brasileira, marcando a emergência do Modernismo Brasileiro. A partir do começo do século XX, era perceptível uma inquietação por parte de artistas e intelectuais em relação ao academicismo que imperava no cenário artístico. Apesar de vários artistas passarem temporadas em Paris, eles ainda não traziam as informações dos movimentos de vanguarda que efervesciam na Europa. As primeiras exposições expressionistas que passaram pelo Brasil - a de Lasar Segall em 1913 e, um ano depois a de Anita Malfatti - não despertaram atenção; é somente em 1917, com a segunda exposição de Malfatti, ou mais ainda com a crítica que esta recebeu de Monteiro Lobato, que vai ocorrer uma polarização das idéias renovadoras. Através do empresário Paulo Prado e de Di Cavalcanti, o verdadeiro articulador, que imaginou uma semana de escândalos, organiza-se um evento que irá pregar a renovação da arte e a temática nativista. Desta semana tomam parte pintores, escultores, literatos, arquitetos e intelectuais. Durante três dias - entre 13 e 17 de fevereiro - o Teatro Municipal de São Paulo foi tomado por sessões literárias e musicais no auditório, além da exposição de artes plásticas no saguão, com obras de Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Victor Brecheret, Ferrignac, John Graz, Martins Ribeiro, Paim Vieira , Vicente do Rego Monteiro, Yan de Almeida Prado e Zina Aíta ( pintura e desenho ), Hildegardo Leão Velloso e Wilhem Haarberg ( escultura ). As manifestações causaram impacto e foram muito mal recebidas pela platéia formada pela elite paulista, o que na verdade contribuiria para abrir o debate e a difusão das novas idéias em âmbito nacional.


Di Cavalcanti, Samba


Di Cavalcanti, Moças


programa da Semana



13.fev.1922 - A Semana de Arte Moderna é inaugurada no Teatro Municipal de São Paulo com palestra do escritor Graça Aranha, ilustrada por comentários musicais e poemas de Guilherme de Almeida. O primeiro dia corre sem tropeços. Depois da longa e erudita fala de Aranha, um conjunto de câmara ocupa o palco para executar obras de Villa-Lobos. Após o intervalo, Ronald de Carvalho discursa sobre pintura e escultura modernas. A platéia começa a se manifestar. Diante dos zurros do público, Ronald de Carvalho devolve: "Cada um fala com a voz que Deus lhe deu."
O "gran finale" surge na forma de um recital de música comandado pelo maestro Ernani Braga.

15.fev.1922 - A noite que celebrizou a semana começa com um discurso de Menotti del Picchia sobre romancistas contemporâneos, acompanhado por leitura de poesias e números de dança. É aplaudido. Mas, quando foi anunciado Oswald de Andrade, começaram as vaias e insultos na platéia, que só param quando sobe ao palco a aclamada pianista Guiomar Novaes.


Menotti del Picchia, Paisagem

Heitor Villa-Lobos se apresenta no palco do Municipal apoiado em um guarda-chuva e calçando chinelos.

17.fev.1922 - A última noite da programação é totalmente dedicada à música de Villa-Lobos. As vaias continuam até que a maioria pede silêncio para ouvir Villa-Lobos. Os instrumentistas tentam executar as peças incluídas no programa apesar do barulho feito pelos espectadores e levam o recital até o fim.


São Paulo, anos 20: Vale do Anhangabaú com o Teatro Municipal ao centro

Logo após os barulhentos espetáculos do Teatro Municipal, é lançada a revista "Klaxon", que divulga as produções da nova escola. Calcados no êxito conseguido com as agitadas noites de fevereiro, os jovens artistas conseguem espaço e estímulo para, ainda em 1922, dar continuidade ao seu trabalho.




Mário de Andrade lança "Paulicéia Desvairada", o livro de poesias no qual todos os procedimentos poéticos mais arrojados eram expostos e reunidos pela primeira vez. Oswald de Andrade lança "Os Condenados".

                                                


Tarsila do Amaral, Operários



Caracterizada por uma oposição entre o projeto formal inovador e a proposta de resgatar elementos da cultura tradicional, a primeira geração de modernistas desenvolve uma arte experimental, de acordo com o projeto fixado por Mário de Andrade na Semana de Arte Moderna de 22. A produção destes iniciadores da arte moderna no Brasil concilia uma linguagem importada das vanguardas modernistas européias, com um conteúdo nativista que resgata as raízes culturais brasileiras. Nos anos 20, estes modernistas conviveram de perto com a arte européia. Paris, como centro de produção artística, definiu os novos rumos da arte brasileira, influenciando toda essa geração de artistas. Antes mesmo de 22, Victor Brecheret e Vicente do Rego Monteiro vão para a capital francesa para se aprofundarem na pintura moderna. Logo depois da Semana de Arte Moderna é a vez de Tarsila do Amaral ir a Paris. Outros artistas passam a seguir o mesmo rumo, buscando concretizar o projeto modernista. É o que acontece com Di Cavalcanti e Anita Malfatti, em 23, e com Antonio Gomide, em 24. Ismael Nery, que estivera na Europa no começo dos anos 20, volta a capital francesa, em 27, procurando um estilo vanguardista. Junto com o pernambucano Cícero Dias, que revela seu talento precoce quando vai ao Rio de Janeiro, em 1927, estes artistas vão se consolidar como os grandes iniciadores da arte moderna brasileira. Nesta época, os centros artísticos no Brasil, além de escassos, privilegiavam uma arte acadêmica com contornos tradicionais, o que incentivava os artistas modernos a buscar alternativas de aprendizado independentes. Por isso, as escolas parisienses representavam mais do que um intercambio cultural: eram necessárias para qualquer tentativa de atualização. Estes artistas traziam para outros brasileiros as novidades de Paris, transmitindo novas linguagens vanguardistas. A absorção desta arte presente nos centros europeus une-se a elementos da nacionalidade brasileira, consolidando o projeto modernista. A partir de então, a arte moderna passa a trilhar novos rumos, distanciando-se, no entanto, daqueles estabelecidos na Semana de 22.

Os integrantes do movimento Modernista de São Paulo                                    



Ren  Thiollier (1) Manuel Bandeira (2) Mário de Andrade (3)
Manoel Vilaboin (4) Francesco Pettinati (5) Cândido Motta Filho (6)
Paulo Prado (7) Não identificado (8) Graça Aranha (9) Afonso Schmidt (10)                        
Goffredo da Silva Telles (11) Couto de Barros (12) Tácito de Almeida (13)
Luís Aranha (14) Oswald de Andrade(15) Rubens Borba de Moraes (16)
Held at the Teatro Municipal de São Paulo on 13, 15and 17 February 1922, the Week of Modern Art  organized by  Mário de Andrade ,  Oswald de Andrade ,  Menotti del Picchia ,  Manuel Bandeira ,  Tarsila do Amaral , Villa-Lobos  and others, marks the advent of modernism in Brazil and is the meeting point of several modern trends coming from the First World War (1914-18), establishing himself in Sao Paulo and Rio de Janeiro. It was also an event that ended with the passage of time, consolidating certain groups and ideas, which now has a captive space in books, magazines and manifestos. These ideas, however, would only be fully accepted after a few years when they came to other Brazilian states.In Minas Gerais, was welcomed by artists such as Carlos Drummond de Andrade, Pedro Nava, Emilio Moura, Abgar Renault and John Alphonsus. In Rio Grande do Sul, Mario Quintana, Augusto Meyer, Pedro Cesar Vergara and Guilhermino eventually adhering to modernist ideas. Also in the Northeast, took effect in the works of José Américo de Almeida, Jorge de Lima and others.                                                                                                    Tarsila, Abaporu Brazilian Modernism is a broad spectrum of cultural movement, initiated in the late '20s, it converging elements of avant-garde emerged in Europe before the First World War - Expressionism, Cubism and Futurism - anthropophagically assimilated into fragments juxtaposed and mixed. The predominance of values in the works of expressionist precursors such as Anita Malfatti and Lasar Segall and advance our Modernism, the convergence of elements that signal the emergence of surrealism in painting that are Ismael Nery and Tarsila do Amaral at his most radical of cannibalism, and Vicente do Rego Monteiro. It is interesting to note that discipline and order of composition constitute the basic structure of Cubist works Tarsila, Antonio Gomide and Di Cavalcanti. In the next 20 years, the Brazilian modernist painting will blend the revival of Egyptian art, pre-Colombian and Vietnamese elements of Art Deco. São Paulo is marked as the center of modernist ideas, where the yeast again. The meeting of young intellectuals with artists break out the modernist vanguard. Unlike Rio de Janeiro, a stronghold of traditionalist and conservative bourgeoisie, São Paulo, encouraged by the progress and the influx of Italian immigrants, the scenario will be conducive to the development process of Modernism. This process had events like the first exhibition of modern art with works by Lasar Segall expressionists in 1913, the scandal provoked by the exhibition of Anita Malfatti between December 1917 and January 1918 and the 'discovery' by sculptor Victor Brecheret in 1920. With greater or lesser weight, these three artists are in the heroic period of Brazilian Modernism, the antecedents of Week 22. The Week of Modern Art 22 is the culmination of this process which aimed to update the arts, and national identity. Designed by Di Cavalcanti as an event that caused the impact and scandal, this week would provide the theoretical foundations that contribute greatly to the artistic and intellectual development of the First Generation Modernist and referral in the 30 and 40, the Brazilian stage of modernity. Vincent's Rego Monteiro, The Welder

       






BACKGROUND OF THE WEEK 

To understand the process of the Brazilian modernist movement is necessary to look at the context of the first two decades of the century, still attached to the scholarship and the influence of the French belle époque, some young people from São Paulo, intellectuals and artists begin to feel the need of an update of the arts, while a search for national identity, through the return to cultural roots of the country. These anxieties of modernization and nationalism are triggered by World War I and the proximity of the first centenary celebrations of Independence. The fragmented information on the avant-garde from Europe will converge with this need of renovation. Some events and exhibitions mark this period and prior to the emergence of Brazilian Modernism, with the Week of Modern Art in 1922. Exposure of Lasar Segall, in 1913, despite not cause much impact, will signal contacts with the German avant-garde. However, it will be the exhibition of Anita Malfatti in 1917, which urges young artists and intellectuals as a group to organize and promote the national modern art, which will take place in Sao Paulo, lulled by the progress and accelerated industrialization, relying on the presence mass of Italian immigrants-which ultimately facilitating the absence of a bourgeois tradition and conservative like the one in Rio de Janeiro.In 1920, the young group from Sao Paulo, has named Victor discovers futuristic Brecheret, newly arrived from Rome. His post-Rodin sculpture, the stylizations of monumental figures and vigor and expressiveness of muscular tension, stretching and twisting sculptures of great impact and immediately polarizes the group around the sculptor. From there he felt the need for an event of magnitude, accompanied by a scandal that marked these new directions of art, brought by Anita incidents Brecheret and the entry of the group - this event will be the Week of Modern Art, 22 . 





Oswald de Andrade

1911 - Oswald de Andrade founded the journal "The Brat." 1912 - Oswald arrives in Brazil bringing Europe knowledge of new forms of artistic expression, such as Paul Fort and suggested the "Futurist Manifesto" of the Italian poet Marinetti .Are the first collages of Braque and Picasso, possible origins of Cubism. BACKGROUND OF THE WEEK Lasar Segall, The Family Lasar Segall, Merchants Lasar Segall, profile Zulmira 1913 - Wassily  Kandinsky : Composition BACKGROUND OF THE WEEK I saw the work of Kandinsky 1914 - Frenchman  Marcel Duchamp  's ready-mades launches. Duchamp's work BACKGROUND OF THE WEEK 1915 - The poet Ronald de Carvalho, Rio participates in the founding of the magazine "Orpheus", directed in Portugal by  Fernando Pessoa and  Mário de Sá-Carneiro . Malfati Anita, The silly Anita Malfati, The yellow man Malfati Anita, The Lighthouse 1917 - An exhibition of Anita Malfatti. The writer Monteiro Lobato wrote the article "Paranoia or Mystification?", Which strongly criticizes the innovations in painting by Anita and engages in a controversy with the leading artists of the movement m












 


Semana da Arte Moderna
.

 
 

 

Lucia   Mesquita   Fortaleza   Ceará   Brasil

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Um dos cartazes da «Semana», satirizando os 
grandes nomes da música, da literatura e da pintura

Sacudindo as estruturas
da arte tupiniquim

     A Semana de Arte Moderna de 22, realizada entre 11 e 18 de fevereiro de 1922 no Teatro Municipal de São Paulo, contou com a participação de escritores, artistas plásticos, arquitetos e músicos.

     Seu objetivo era renovar o ambiente artístico e cultural da cidade com "a perfeita demonstração do que há em nosso meio em escultura, arquitetura, música e literatura sob o ponto de vista rigorosamente atual", como informava o Correio Paulistano a 29 de janeiro de 1922.

     A produção de uma arte brasileira, afinada com as tendências vanguardistas da Europa, sem contudo perder o caráter nacional, era uma das grandes aspirações que a Semana tinha em divulgar.

Independência e sorte

     Esse era o ano em que o país comemorava o primeiro centenário da Independência e os jovens modernistas pretendiam redescobrir o Brasil, libertando-o das amarras que o prendiam aos padrões estrangeiros.

     Seria, então, um movimento pela independência artística do Brasil.

     Os jovens modernistas da Semana negavam, antes de mais nada, o academicismonas artes. A essa altura, estavam já influenciados esteticamente por tendências e movimentos como o Cubismo, o Expressionismo e diversas ramificações pós-impressionistas.

     Até aí, nenhuma novidade nem renovação. Mas, partindo desse ponto, pretendiam utilizar tais modelos europeus, de forma consciente, para uma renovação da arte nacional, preocupados em realizar uma arte nitidamente brasileira, sem complexos de inferioridade em relação à arte produzida na Europa.

Um grupo importante
de renovadores

     De acordo com o catálogo da mostra, participavam da Semana os seguintes artistas: Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Zina Aita, Vicente do Rego Monteiro, Ferrignac (Inácio da Costa Ferreira), Yan de Almeida Prado, John Graz, Alberto Martins Ribeiro e Oswaldo Goeldi, com pinturas e desenhos;

     Marcavam presença, ainda, Victor Brecheret, Hildegardo Leão Velloso e Wilhelm Haarberg, com esculturas; Antonio Garcia Moya e Georg Przyrembel, com projetos de arquitetura.

     Além disso, havia escritores como Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Menotti del Picchia, Sérgio Milliet, Plínio Salgado, Ronald de Carvalho, Álvaro Moreira, Renato de Almeida, Ribeiro Couto e Guilherme de Almeida.

      Na música, estiveram presentes nomes consagrados, como Villa-Lobos.


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Da esquerda para a direita: Brecheret, Di Cavalcanti, Menotti del Picchia, Oswald de Andrade e Helios Seelinger


Anita Malfatti, Tarsila do Amaral e Oswald de Andrade.
Por ocasião da «Semana», Tarsila se achava em París e, por esse motivo, não participou do evento
.

Uma cidade na medida
certa para o evento

     São Paulo dos anos 20 era a cidade que melhor apresentava condições para a realização de tal evento. Tratava-se de uma próspera cidade, que recebia grande número de imigrantes europeus e modernizava-se rapidamente, com a implantação de indústrias e reurbanização.

     Era, enfim, uma cidade favorável a ser transformada num centro cultural da época, abrigando vários jovens artistas.

     Ao contrário, o Rio de Janeiro, outro polo artístico, se achava impregnado pelas idéias da Escola Nacional de Belas-Artes, que, por muitos anos ainda, defenderia, com unhas e dentes, o academicismo.

     Claro que existiam no Rio artistas dispostos a renovar, mas o ambiente não lhes era propício, sendo-lhes mais fácil aderir a um movimento que partisse da capital paulista.

Os primórdios da arte
moderna no Brasil

     Em 1913, estivera no Brasil, vindo da Alemanha, o pintor Lasar Segall. Realizou uma exposição em São Paulo e outra em Campinas, ambas recebidas com uma fria polidez. Desanimado, Segall seguiu de volta à Alemanha, só retornando ao Brasil dez anos depois, quando os ventos sopravam mais a favor.

     A exposição de Anita Malfatti em 1917, recém chegada dos Estados Unidos e da Europa, foi outro   marco para o Modernismo brasileiro.

     Todavia, as obras da pintora, então afinadas com as tendências vanguardistas do exterior, chocaram grande parte do público, causando violentas reações da crítica conservadora.

     A exposição, entretanto, marcou o início de uma luta, reunindo ao redor dela jovens despertos para uma necessidade de renovação da arte brasileira.

     Além disso, traços dos ideais que a Semana propunha já podiam ser notados em trabalhos de artistas que dela participaram (além de outros que foram excluídos do evento).

     Desde a exposição de Malfatti, havia dado tempo para que os artistas de pensamentos semelhantes se agrupassem.

     Em 1920, por exemplo, Oswald de Andrade já falava de amplas manifestações de ruptura, com debates abertos.



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Capa de
Di Cavalcanti
para o
Catálogo da
Exposição

Revolução em marcha

     Entretanto, parece ter cabido a Di Cavalcanti a sugestão de "uma semana de escândalos literários e artísticos, de meter os estribos na barriga da burguesiazinha paulistana."

     Artistas e intelectuais de São Paulo, com Di Cavalcanti, e do Rio de Janeiro, tendo Graça Aranha à frente, organizavam a Semana, prevista para se realizar em fevereiro de 1922.

     Uma exposição de artes plásticas - organizada por Di Cavalcanti e Rubens Borba de Morais, com a colaboração de Ronald de Carvalho, no Rio - acompanharia as demais atividades previstas.

     Graça Aranha, sob aplausos e vaias abriu o evento, com sua conferência inaugural "A Emoção Estética na Arte Moderna".

     Anunciava "coleções de disparates" como "aquele Gênio supliciado, aquele homem amarelo, aquele carnaval alucinante, aquela paisagem invertida" (temas da exposição plástica da semana), além de "uma poesia liberta, uma música extravagante, mas transcendente" que iriam "revoltar aqueles que reagem movidos pelas forças do Passado."


     Em 1922, o escritor Graça Aranha (1868-1931) aderiu abertamente à Semana da Arte Moderna, criando uma cisão na quase monolítica Academia Brasileira de Letras e gerando nela uma polêmica como há muito tempo não se via.


     Dois grupos de imortais se engalfinhavam, um deles liderado por Graça Aranha, que pretendia romper com o passado. O outro, mais sedimentado na velha estrutura, tinha como seu líder o escritor Coelho Neto (1864-1934). Os dois nordestinos, os dois maranhenses, os dois com uma força tremenda junto a seus pares. Eram conterrâneos ilustres, que agora não se entendiam, e que pretendiam levar suas posições até as últimas conseqüências.


      Então, numa histórica sessão da Academia, no ano de 1924, deu-se o confronto fatal. Após discursos inflamados e uma discussão áspera entre ambos, diante de uma platéia numerosa, um grupo de jovens carregou Coelho Neto nas costas, enquanto outro grupo fazia o mesmo com Graça Aranha. 


     Mário de Andrade, com suas conferências, leituras de poemas e publicações em jornais foi uma das personalidades mais ativas da Semana.

     Oswald de Andrade talvez fosse um dos artistas que melhor representavam o clima de ruptura que o evento procurava criar.

     Manuel Bandeira, mesmo distante, provocou inúmeras reações de agrado e de ódio devido a seu poema "Os Sapos", que fazia uma sátira do Parnasianismo, poema esse que foi lido durante o evento.


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Um dos cartazes 
Teatro Municipal de São Paulo,
anunciando a Semana de Arte Moderna
.

A imprensa, controlada,
ignorou o "escândalo"

     Entretanto, acredita-se que a Semana de Arte Moderna não tenha tido originalmente o alcance e amplitude que posteriormente foram atribuídos ao evento.

     A exposição de arte, por exemplo, parece não ter sido coberta pela imprensa da época. Somente teve nota publicada por participantes da Semana que trabalhavam em jornais como Mário de Andrade, Menotti del Picchia e Graça Aranha (justamente os três conferencistas, cujas idéias causaram grande alarde na imprensa).

    

Bem intencionados,
mas ainda confusos

     Além disso, discute-se o "modernismo" das obras de artes plásticas, por exemplo, que apresentavam várias tendências distintas e talvez não tivessem tantos elementos de ruptura quanto seus autores e os idealizadores da Semana pretendiam.

     Houve ainda bastante confusão estilística e estrangeirismos contrários aos ideais da amostra, como demonstram títulos como "Sapho", de Brecheret, "Café Turco", de Di Cavalcanti, "Natureza Dadaísta", de Ferrignac, "Impressão Divisionista", de Malfatti ou "Cubismo" de Vicente do Rego Monteiro.

A dispersão

     Logo após a realização da Semana, alguns artistas fundamentais que dela participaram acabam voltando para a Europa (ou indo lá pela primeira vez, no caso de Di Cavalcanti), dificultando a continuidade do processo que se iniciara.

     Por outro lado, outros artistas igualmente importantes chegavam após estudos no continente, como Tarsila do Amaral, um dos grandes pilares do Modernismo Brasileiro.

     Não resta dúvida, porem, que a Semana integrou grandes personalidades da cultura na época e pode ser considerada importante marco do Modernismo Brasileiro, com sua intenção nitidamente anti-acadêmica e introdução do país nas questões do século.

     A própria tentativa de estabelecer uma arte brasileira, livre da mera repetição de fórmulas européias foi de extrema importância para a cultura nacional e a iniciativa da Semana, uma das pioneiras nesse sentido.                    BRASIL!!!!!!!!!!!!!!!.........

Semana de Arte Moderna   


Viajando pelo Modernismo - Aspectos da cultura brasileira -


Semana de Arte de Moderna 


Inserida nas festividades em comemoração do centenário da independência do Brasil, em 1922, a Semana de Arte Moderna apresenta-se como a primeira manifestação coletiva pública na história cultural brasileira a favor de um espírito novo e moderno em oposição à cultura e à arte de teor conservador, predominantes no país desde o século XIX. Entre os dias 13 e 18 de fevereiro de 1922, realiza-se no Theatro Municipal de São Paulo um festival com uma exposição com cerca de 100 obras e três sessões lítero-musicais noturnas. Entre os pintores participam Anita MalfattiDi Cavalcanti, Ferrignac, John Graz,Vicente do Rego MonteiroZina Aita, Yan de Almeida Prado e Antônio Paim Vieira, com dois trabalhos feitos a quatro mãos, e o carioca Alberto Martins Ribeiro, cujo trabalho não se desenvolveu depois da Semana de 22. No campo da escultura, estão Victor Brecheret, Wilhelm Haarberg e Hildegardo Velloso. A arquitetura é representada por Antônio Garcia Moya e Georg Przyrembel. Entre os literatos e poetas, tomam parte Graça Aranha, Guilherme de Almeida, Mário de Andrade (1893 - 1945), Menotti del Picchia, Oswald de Andrade, Renato de Almeida, Ronald de Carvalho, Tácito de Almeida, além de Manuel Bandeira com a leitura do poema Os Sapos. A programação musical traz composições de Villa-Lobos e Debussy, interpretadas por Guiomar Novaes e Hernani Braga, entre outros.

A Semana de 22 não foi um fato isolado e sem origens. As discussões em torno da necessidade de renovação das artes surgem em meados da década de 1910 em textos de revistas e em exposições, como a de Anita Malfatti em 1917. Em 1921 já existe, por parte de intelectuais como Oswald de Andrade e Menotti Del Picchia, a intenção de transformar as comemorações do centenário em momento de emancipação artística. No entanto, é no salão do mecenas Paulo Prado, em fins desse ano, que a idéia de um festival com duração de uma semana, trazendo manifestações artísticas diversas, toma forma inspirado na Semaine de Fêtes de Deauville, cidade francesa. Nota-se que sem o empenho desse mecenas o projeto não sairia do papel. Paulo Prado, homem influente e de prestígio na sociedade paulistana, consegue que outros barões do café e nomes de peso patrocinem, mediante doações, o aluguel do teatro para a realização do evento. Também é fundamental seu papel na adesão de Graça Aranha à causa dos artistas "revolucionários". Recém-chegado da Europa como romancista aclamado, a presença de Aranha serve estrategicamente para legitimar a seriedade das reivindicações do jovem e ainda desconhecido grupo modernista.

Sem programa estético definido, a Semana desempenha na história da arte brasileira muito mais uma etapa destrutiva de rejeição ao conservadorismo vigente na produção literária, musical e visual do que um acontecimento construtivo de propostas e criação de novas linguagens. Pois, se existe um elo de união entre seus tão diversos artífices, este é, segundo seus dois principais ideólogos, Mário e Oswald de Andrade, a negação de todo e qualquer "passadismo": a recusa à literatura e à arte importadas com os traços de uma civilização cada vez mais superada, no espaço e no tempo.  Em geral todos clamam em seus discursos por liberdade de expressão e pelo fim de regras na arte. Faz-se presente também certo ideário futurista, que exige a deposição dos temas tradicionalistas em nome da sociedade da eletricidade, da máquina e da velocidade. Na palestra proferida por Mário de Andrade na tarde do dia 15, posteriormente publicada como o ensaio A Escrava que Não É Isaura , 1925, ocorre uma das primeiras tentativas de formulação de idéias estéticas modernas no país. Nessa conferência, o autor antevê a importância de temperar o processo de importação da estética moderna com o nativismo, o movimento de voltar-se para as raízes da cultura popular brasileira. A dinâmica entre nacional e internacional torna-se a questão principal desses artistas nos anos subseqüentes.

Com a distância de mais de 80 anos, sabe-se que, com respeito à elaboração e à apresentação de uma linguagem verdadeiramente moderna, a Semana de 22 não representa um rompimento profundo na história da arte brasileira. Pois no conjunto de qualidade irregular de obras expostas não se identifica uma unidade de expressão, ou algo como uma estética radical do modernismo. No entanto, há de se reconhecer que, a despeito de todos os antagonismos, esse evento configura-se como um fato cultural fundamental para a compreensão do desenvolvimento da arte moderna no Brasil, e isso sobretudo pelos debates públicos mobilizados  e riqueza de seus desdobramentos na obra de alguns de seus realizadores.   




 
Semana de Arte Moderna  

O movimento modernista representou uma  
renovação da linguagem:  
• na busca de experimentação;  
• a liberdade criativa;  
. • ruptura com o passado a  . • A arte chegou à vanguarda do modernismo  • Era o início de nossa identidade cultural. 

        
        

Nos dias 13, 15 e 17 de Fevereiro de 1922, em São Paulo foi o maior evento das artes no Brasil, a primeira semana de Arte Moderna, o Teatro Municipal.  Dias, onde a pintura, escultura, poesia, literatura e música foram considerados e discutidos.

  

Estavam PRESENTES  OS Artistas  Di Cavalcanti, Anita Malfatti, Zina Aita, Vicente do Rego Monteiro, Ferrignac (Inácio da Costa Ferreira), Yan de Almeida Prado, John Graz, Alberto Martins Ribeiro e Oswaldo Goeldi;  Na escultura de Victor Brecheret, Hildegardo Leão Velloso e Wilhelm Haarberg; n  Projetos arquitetônicos  estavam PRESENTES Antonio Garcia Moya e Georg Przyrembel;  ainda Escritores  Como Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Menotti del Picchia, Sérgio Milliet, Plínio Salgado, Ronald de Carvalho, Álvaro Moreira, Renato de Almeida, Ribeiro Couto e Guilherme de Almeida e  música de  nomes conhecidos, como Villa-Lobos, Guiomar Novaes, Ernani Braga e Frutuoso Viana.

Mas o Que fez dessa Semana de Arte Moderna hum Evento Tão relevante importância Pará a arte brasileira?

A Semana de Arte Moderna  trouxe o rompimento com o conservadorismo  da arte européia, referencia Pará a arte brasileira. Movidos Pelo Academicismo Que Nessa Época Visto Como hum Estilo conservador e pouco original, Dito comeu POR alguns com hum Método educativo ultrapassado fazia da arte Nacional UMA copia da arte européia.

Esta Semana na sua essência nasce com o retorno de Anita Malfatti para o Brasil.  Mas é em sua segunda exposição recebeu fortes críticas do escritor Monteiro Lobato, que publicou em Oficial do Estado de São Paulo, onde o artigo dizendo "você Malfatti" teve esquerda  "... influenciados por Picasso e extravagância da empresa ... "ele começou a discussão ea fermentação sobre a nova avant-garde.  Oswald de Andrade em defesa de Anita fez um artigo onde ele elogiou o artista pelo simples fato de não ter feito cópias.  Durante este período os jovens artistas e escritores influenciados pelo desejo de mudar Anita juntou seus últimos anos e, em seguida, subir na Semana de Arte Moderna.

A Semana de Arte Moderna  trouxe UMA Renovação das Linguagens da arte no Brasil.  Anita Malfatti Volta ao Brasil com UMA Leitura da vanguarda Fauvista e fortemente influenciada Pelo Cubismo, Mas o Que Mais chamava um desses Atenção Novos Artistas era o Interesse nd Busca de Experimentação, nd nd Liberdade criadora e ruptura com o Passado. O Evento FOI marcado Pela Apresentação de Novas ideias e Conceitos Artísticos, Como uma poesia atraves da declamação, 'antes' ¿Qué EEI para Escrita; uma musica YET concertos Meio DE, pingos ¿Qué assim havia Cantores sem-orquestras sinfônicas De Acompanhamento; ea arte plástica exibida los Telas , Esculturas e maquetes de Arquitetura, com Desenhos arrojados e Modernos.

Na pintura in especial cessos Artistas chamados tambem de futuristas estavam antenados com vanguardas européias como Novas Mais com hum Importante Interesse in Fazer Desse Momento hum acontecimento Onde expressasse UMA Totalmente arte brasileira. Di Cavalcante Que Levou Pará como Telas de uma favela, mangues sistema operacional, como festas Populares e apos uma Semana pintora Tarsila um do Amaral buscaria re-Descobrir O Brasil Com. fauna Sua, da flora,         

Emiliano Di Cavalcanti

N  asceu no Rio de Janeiro em 1897.

O pintor Emiliano Di Cavalcanti nasceu em 06 de setembro de 1897.  Naquele tempo, o panorama das artes no Brasil era bastante desolador: a falta de informação somada ao tradicionalismo das elites conservadoras deixou a pintura de paisagem existente ainda contam com ecos desatualizadas do Europeu correntes artísticas.  Neste contexto, tornaram-se exposições muito importantes Lasar Segall, em 1913, e Anita Malfatti em 1917, esta duramente criticada.  Estes episódios fazem parte da história de um movimento em direção a correntes modernistas européias, que iria culminar na Semana de . Arte Moderna em 1922  Di Cavalcanti já era um artista muito talentoso conhecido neste momento, e seu desempenho em 1922 foi essencial: o artista foi um dos criadores da Semana de Arte Moderna e uma referência importante para o grupo inteiro e modernista, desde então, a história das artes no Brasil. 

O curso de arte moderna no século XIX veio a curva definida pelo  romantismo  , realismo  e  impressionismo  .  Os românticos assumem uma atitude crítica em relação às convenções artísticas e temas impostas por oficiais  academias de arte  , produzindo  pinturas históricas sobre temas da vida moderna.  A Liberdade Guiando o Pessoas  (1831), Eugène Delacroix (1798-1863) lida com a história contemporânea, em termos modernos.  O tom realista é obtido pela caracterização de figuras individuais das pessoas.  O uso livre de cores vivas, pinceladas expressivas e uso de nova luz , por sua vez, negam as regras da  arte acadêmica  .  O realismo de Gustave Courbet (1819 - 1877). ilustra, um pouco mais tarde, uma outra representação da direção tomada por pessoas e da vida cotidiana  Os três telas do pintor expostas no Salão de 1850,  Enterro em Ornans  ,  Os Camponeses de Flagey  e  do pedreiro  , marca o compromisso de Courbet com o programa realista, pensado como uma forma de superar os clássicos e românticos, assim como as questões históricas, mitológicas e religiosas.

A ruptura com os temas clássicos da arte moderna vem através da superação ilusionisticamente tenta representar um espaço tridimensional em um plano de apoio.  A consciência da tela plana, seus limites e renda inaugura o espaço moderno na pintura, inicialmente verificado com o trabalho de Eduard Manet (1832 - 1883).  De acordo com o crítico americano Clement Greenberg ", telas de Manet se tornaram os primeiros quadros modernistas em virtude da franqueza com que eles declararam as superfícies planas sobre as quais foram pintados."  As pinturas de Manet na década de 1860, que trata com vários temas relacionados com a visão de Baudelaire a modernidade e os tipos de Paris moderna:. boêmios, ciganos, etc burguesa empobrecida  Além disso, funciona como  Dejeuner sur l'herbe  [Piquenique sobre a relva] (1863) não só perplexo com o sujeito (uma mulher nua no mato, conversando com dois homens vestidos), mas também pela composição formal: cores lisas sem relevos claros ou escuros, a luz que não tem nenhuma função ou modelo para destacar os números, a falta de distinção entre os órgãos e espaço em um único contexto.  Os levantamentos são referências a Manet impressionismo Claude Monet (1840 - 1926), Auguste Renoir Pierre (1841 - 1919), Edgar Degas (1834 - 1917), Camille Pissarro (1831 - 1903), Paul Cézanne ( 1839 -. 1906) entre muitos outros  A preferência para o registro da experiência contemporânea, da observação da natureza com base em impressões pessoais e sensações visuais suspensão imediata dos contornos e chiaroscuro em favor de traços fragmentados e sobrepostos, a utilização máxima da luz e da utilização de cores complementares favorecidos pela  pintura ao ar livre  são os elementos centrais de uma agenda mais ampla impressionista explorado em jurisdições diferentes.  um diálogo crítico com o impressionismo está estabelecida na França com o  fauvismo  de André Derain (1880 - 1954) e Henri Matisse (1869 - 1954), e na Alemanha com o expressionista  Ernst Ludwig Kirchner (1880 - 1938) Emil Nolde (1867 - 1956) e Ernst Barlach (1870 - 1938).

O termo engloba a arte moderna dos primeiros europeus vanguardas do século XX -  o cubismo  ,  construtivismo  , surrealismo  ,  dadaísmo  ,  suprematismo  ,  Neo  ,  futurismo , etc.  - Da mesma forma que segue o movimento do eixo da produção artística de Paris para Nova York após a Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945), com o  expressionismo abstrato  de Arshile Gorky (1904 - 1948) e Jackson Pollock (1912 - 1956).  Na Europa, na década de 1950, as reverberações de que a produção norte-americana para assinalar as diferentes experiências de tachismo  .  As produções artísticas dos anos 1960 e 1970, a quota segundo grande da crítica, obrigando o estabelecimento de novos parâmetros analíticos e longe do vocabulário modernista e agenda, o que pode indicar uma fronteira entre o moderno eo contemporâneo.  Em Brasil, a arte moderna - o modernismo - é um marco simbólico da produção realizada sob os auspícios da  Semana de Arte Moderna  de 1922.  Já existe na produção crítica brasileira de arte considerável discute a importância da Semana de Arte Moderna de 1922 como um divisor de águas.   

Lucia  mesquita                                                                          Fortaleza Ceará  Brasil    

TARSILA DO AMARAL

TARSILA DO AMARAL NASCEU EM CAPIVARI, NO INTERIOR DE SÃO PAULO, EM 1886 E FALECEU EM 1973.

É CONSIDERADA UMA DAS MAIORES PINTORAS BRASILEIRAS.

SUA PINTURA TEVE A MARCA DA ORIGINALIDADE.               

 FOI TARSILA, CONTEMPORÂNEA DOS ARTISTAS DA SEMANA DE ARTE MODERNA DE 1922.  

EM NOSSAS AULAS VIMOS TRÊS DE SUAS OBRAS:

                                                                                                         PAISAGEM COM TOURO-1925                 

                                                                        

 

 

                                                 O MAMOEIRO-1925                                                                             CENTRAL DO BRASIL-1924

                                                

       TARSILA USA DE CORES FORTES," CORES BRASILEIRAS", DIFERENTE DAS USADAS PELOS OUTROS ARTISTAS             

                  OBSERVE AS FORMAS DE SEUS DESENHOS: ARREDONDADOS,EXAGERADOS,SINGELOS.    

                                                                   ABAPORU

                OSWALD DE ANDRADE, MARIDO DE TARSILA, PARA QUEM ELA PINTOU O ABAPORU 

   ALGUMAS OBRAS DE TARSILA,

                              

 

                                                              

                       

                                                                    FOTOS DA TARSILA            

Tarsila do Amaral 

Meet one of the main Brazilian artists

self-portrait-of-Tarsila amaral


Tarsila do Amaral was born in 1890 in the city of Capivari (SP). He began studying painting in1917 , with the painter Peter of Alexandria. Three years later, went to study art in France .It was there that he came into contact with the techniques of drawing and painting different from what they did in Brazil at that time.

Upon returning to the country, has joined artists such as Oswald de Andrade and Andrade to champion new forms of art in Brazil, participating in the Week of Modern Art , held in February 1922.

The doll

The doll (above) is one of the classical paintings of artist Paulo

In 1926, she married the writer Oswald de Andrade and made his first solo exhibition in Paris, France. Its screen is the best known Abaporu , which shows an enormous feet and be a small head.

'Abaporu', de Tarsila do Amaral, chega a Brasília sob forte segurança

O quadro "Abaporu", uma das obras mais importantes de Tarsila do Amaral, chegou de Buenos Aires a Brasília na noite desta quarta-feira (16). A recepção, no Palácio do Planalto, foi marcada por um forte esquema de segurança, que contou até com escolta da Polícia Federal.

Encaixotada, a pintura de cores fortes subiu a rampa do Palácio.

A obra foi emprestada pelo Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires (Malba) para integrar uma exposição que reúne exclusivamente artistas brasileiras.

"Mulheres artistas e brasileiras - produção do século 20" será aberta no próximo dia 23 pela presidente Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deve visitá-la.

"Abaporu" se transformou em símbolo do movimento antropofágico, que reuniu os principais artistas modernistas brasileiros. Sua principal proposta era absorver a cultura europeia e transformá-la em algo novo, com características brasileiras.

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ANITA MALFATTI

    
O Homem amarelo / 1915
Anita Malfatti nasceu em São Paulo em 2 de dezembro 1889. Seu pai era de origem italiana e engenheiro, Samuel Malfatti. Sua mãe, Elisabete, de nacionalidade americana, era pintora, desenhista, mulher de boa cultura, cuidava pessoalmente da educação de Anita. Com a ajuda de um tio e de seu padrinho, Anita foi estudar pintura na Alemanha, pois já era visto ser possuidora de grande talento.
Após cursar a Academia Real de Belas Artes, aproximou-se de um grupo de artistas que haviam se desligado do academismo, cuja pintura era livre. Mas foi em 1914, regressando ao Brasil, que resolveu ir para a terra de sua mãe, Estados Unidos. Matriculou-se na 'Art Students League', que proporcionava aos alunos total liberdade de criação. Foi nesse período que Anita teve sua fase criativa mais brilhante, surgindoMulher de Cabelos Verdes , O homem amarelo, O Japonês, e outros trabalhos voltados para o Expressionismo.
De volta ao Brasil, Anita fez uma Exposição no Mappin Stores, em 12 de dezembro de 1917. Ninguém poderia prever que os trabalhos de Anita seriam tão mal comentados e que provocariam uma enorme polêmica entre os adeptos da arte acadêmica.
Entre estas obras estava O Torso – obra do corpo de um atleta, destacado pela força e movimento dos músculos. O corpo ganhara volume, embora estivesse representado em uma superfície de apenas duas dimensões – largura e altura. Realmente o torso é o destaque, pois a cabeça, pés e mãos são apenas sugeridas.
E estes comentários viriam com maior força de um escritor considerado renovador - Monteiro Lobato no jornal 'O Estado de São Paulo', com o título 'A propósito da Exposição Malfatti', na edição de 20 de dezembro de 1917. Lobato não gostou. Bombardeou as obras da artista com muita agressividade. Anita entrou em depressão vivendo um período de sofrimento e desorientação, pois era tímida e indecisa. Sua primeira reação foi de abandonar a arte.
Monteiro Lobato, preso aos princípios conservadores, dizia na época que 'todas as artes são regidas por princípios imutáveis, leis fundamentais que não dependem do tempo nem da latitude'.
E foi mais longe em suas críticas à Malfatti, criticando, também, os novos movimentos artísticos.
Anos mais tarde, em contraponto às críticas de Monteiro Lobato, Mario de Andrade entra em cena expondo suas idéias no prefácio de sua obra 'Paulicéia Desvairada', publicada em 1922.
Na verdade, a agressividade de Monteiro Lobato seria dirigida aos modernistas, com quem Lobato tinha umas rusgas. Mas suas críticas atingiram Anita de 'cheio'. Passado algum tempo, Anita foi ter aulas com o mestre Alexandrino Borges - Natureza morta -, e lá conheceu Tarsila do Amaral tornado-se sua amiga.
Certamente havia os defensores de uma estética conservadora e outros que primavam pela renovação, que atingiu seu clímax na Semana de Arte Moderna, em fevereiro de 1922 no Teatro Municipal de São Paulo.
Convencida por amigos, Anita entrou na Semana de Arte Moderna de 1922. As raízes brasileiras deveriam ser o ponto de partida, ser o foco de maior valorização dos artistas nacionais. Depois desta participação viajou para a Europa onde se encontrou com os amigos Tarsila, Oswald, Brecheret e Di Cavalcanti.
Mas no interior do teatro foram apresentados concertos e conferências, enquanto no saguão foram montadas as exposições de artes plásticas. Eram eles os arquitetos Antonio Moya e George Prsyrembel, os escultores Vitor Brecheret e W. Haerberg e os desenhistas e pintores Anita Malfatti, Di Cavalcanti, John Graz, Martins Ribeiro, Zina Aita, J. F. de Almeida Prado, Inácio da Costa Ferreira e Vicente do Rego Monteiro.
Porém, após a exposição de 1917, Anita não conseguiu total recuperação, e já com idade mais avançada mudou-se com sua irmã para Diadema (SP), onde morreu em 6 de novembro de 1964, onde preferiu cuidar do jardim e esquecer de tudo.
A importância desse evento, da 'Semana da Arte Moderna' foi o marco para se fazer e compreender, um novo amanhecer da Arte.
'O grandioso e o majestoso, assim como a glória e o mágico sucesso me deixam calada, triste, mas as coisas fáceis de pintar, simples de se compreender, onde mora a ternura e o amor do nosso povo, isso me consola, isto me comove.' (Anita Malfatti)


    
O Torso / 1917
Mulher de cabelos verdes / 1917                                        
O Japonês / 1916
    
A Boba / 1917                                                                                                                       
Estudante Russa / 1915
    
O Farol de Monhegan / 1915


Tropical  / 1917




 A Semana da Arte Moderna)                                                                                     Lucia  Mesquita


The aesthetic emotion in modern art

For many of you curious and gloriously evocative exhibition that opened today, is an agglomeration of "horrors". He tortured genius, yellow man, that crazy carnival, that landscape is inverted fantasy games are not mocking the artists are certainly frantic interpretations of nature and life. Is not finished your astonishment. Other "horrors" await you. Soon, joining this collection of nonsense, poetry releases, a cheesy song, but transcendent, those who respond will rebel forces moved from the Past. For these latecomers art is still beautiful.

No prejudice is most disturbing to the art that the conception of beauty. Those who imagine the beautiful abstract are sugestionados forjadoras by conventions and aesthetic concepts of entities over which there can be an exact and definite. Every one who interrogates himself and answer what is beauty? Where lies the infallible criterion of beauty? The art is independent of this bias. It is another wonder that there is beauty. It is the realization of our integration in the Cosmos by emotions derived from our senses, vague and indefinable feelings that come in shapes, sounds, colors, feels, flavors and lead us to the supreme unity with the Universal Whole. Why she felt the universe that science breaks down and makes us only know by its phenomena. Why a shape, line, sound, color, touches us in praise and transport to the universal? The mystery of art, insoluble in all times, because art is eternal, and man is an animal artist par excellence. The religious feeling can be transmuted, but the aesthetic remains unquenchable, and Love his brother immortal. The Universe and its fragments are always referred to as metaphors and analogies that make images. However, this intrinsic function of the human spirit shows how the aesthetic function, which is to devise and imagine, it is essential to our nature.

The emotion-generating art or that it gives us so much deeper, more universal and more artist is the man, his creator, his interpreter or viewer. Each art must move in by their direct means of expression and they grab us by the Infinite.

The painting in the lift up, not by anecdote, which happened to find her acting, but mainly by the vague and ineffable feelings that come from the shape and color.

What does it matter that the yellow man mad or landscape, or the anguished genius are not what is conventionally called real? What interests us is the thrill that comes from those intense colors and surprising shapes of those strange, inspiring images and we translate the feeling pathetic or satirical artist. What matters to us that the transcendent music that we hear is not held the second consecrated formulas? What interests us is the transfiguration of ourselves in the magic of sound, which express the divine art of the musician. It is the essence of art is art. It is the vague feeling of the Infinite that is sovereign artistic emotion derived from the sound, shape and color. To the artist nature is a "flight" perennial in imaginary time. As for the other nature is fixed and eternal, and everything goes for him art is a representation of the constant transformation. Passing by her emotions absolute vacancies coming from the senses and realize this aesthetic emotion with the entire unit is the supreme joy of the spirit.

If art is inseparable, if each of us is an artist even if rudimentary, because it is a creator of images and subjective forms, art in its manifestations is influenced culture of the human spirit.

All the aesthetic manifestation is always preceded by a general movement of ideas, a philosophical impulse, Philosophy and Art is made to become Life. In classical antiquity the outbreak of architecture and sculpture is due not only to the environment, the weather and the race, but mainly to mathematical culture that was unique and led to the ascendancy of the arts of line and volume. The actual painting of these times is a strong reflection of the sculpture. In the Renaissance, following the analytical perquisition of the human soul, which was the predominant activity of the Middle Ages, Humanism inspired the magnificent flowering of painting the human figure who sought to express the mystery of souls. It was after the natural philosophy of the seventeenth century that the movement has spread to the pantheistic Art and Literature and Nature gave it personification streak in poetry and landscape painting. Rodin would not have been the innovator, who was in sculpture, had there been no precedence of the biology of Lamarck and Darwin. The man from the anthropoid Rodin is perfected.

And here come the big puzzle that is the need to the origins of feeling in modern art. This supreme artistic movement characterized by freer and fruitful subjectivism. It is a result of extreme individualism that has been in place in time for almost two centuries until it espraiar in our time, that feature is overwhelming.

Since Rousseau the individual is the basis of social structure. The society is an act of human free will. And this concept marks the philosophical ancestry of Condillac and his school.Individualism trembles in the French Revolution and later in romanticism and the social revolution of 1848, but his release is not final. This came only when Darwinism unleashed the triumphant human spirit of its divine origins and intended revealed the nature and background of their plots inexorable. The spirit of man plunged in unfathomable abyss and looked for the essence of things. Subjectivism freer and disenchanted germinated at all.Every man is an independent thought, each artist express freely, without compromise, their interpretation of life, the aesthetic emotion that comes from your contacts with nature. It's all magic within the spirit is reflected in poetry, music and the arts. Each judge is free to reveal the nature according to his own feeling liberated. Everyone is free to create and express your dream, your fantasy intimate triggered the whole rule, the entire penalty. The canon law and are replaced by the absolute freedom that reveals, among a thousand freaks, wonders that only know freedom generate. No one can say with certainty where the error or madness in the art, which is the expression of the subjective world of the strange man.Our judgment is subject to our prejudices variables. The genius will manifest itself freely, and this independence is a wonderful fate and she did not prevail against the academies, schools, the arbitrary rules of the atrocious taste, and the barren common sense. We have to accept as an inexorable force liberated the art. Our spiritual activity will be limited in modern art to feel the essence of art, those vague emotions conveyed by the senses and bring our spirit to merge the whole infinite.

This subjectivism is so free that the independent will of the artist become more disinterested in objectivism, which disappears in the psychological determination. It would be the painting of Cezanne, the music of Stravinsky reacting against the lyricism psychological Debussy looking for, as already noted, the express object in life more rich and dynamic that goes on in things and in the emotion of the artist.

This is perhaps the emphasis of fashion, because in this modern art there is also the seat of fashion, which to some extent is a deprivation of liberty. The tyranny of fashion declares aged Debussy and smiles of his transcendental subjectivism, calls the tyranny of fashion feel strong and violent interpretation of the constructive nature putting itself in direct correlation with modern life in their most real and petulant. Intellectualism is replaced by direct objectivism, which, carried to excess, the overflow of Cubism Dadaism. There's kind of fun and dangerous, and so seductive, that mocks the art of art itself. This mockery pervades modern music in France that manifests itself in sarcasm Eric Satie and the group of "six" holds in attitude. Not always the billing of this group is homogeneous, because each of the artists inevitably follows the mysterious impulses of his own temperament, and so once again confirms the characteristic of modern art that is more free from subjectivism.

It is marvelous as the fundamental qualities of the race persist in poets and other artists. In Brazil, at the bottom of all poetry, even free, lies that portion of sadness, that hopeless nostalgia, which is the substratum of our lyricism. It is true that there is an effort to release this melancholy race, and poetry in the bitterness of revenge humor, which is an expression of disenchantment, a permanent sarcasm against what is and should not be, almost an art to overcome. Us claim against this imitative art and voluntary giving our "modern" an artificial feature. Praise those poets who are released by their own means of ascent and whose strength is intrinsic to them. Many of them left to win the morbidity or the bitterness of nostalgic farce, but at a certain instant touch of revelation came to them and I will set them free, merry, gentlemen of the universal matter which make into poetic material.

Of these, freed from sorrow, and the lyricism of the formalism, here we have a host. Just one of them sing, poetry is a strange, new winged and that makes music for more poetry.Two of them, this promising evening, you will hear the ultimate 'imaginations. " One is Guilherme de Almeida, the poet of "Messidor" whose subtle lyricism is distilled and fresh from a distant and vague longing for love, dream and hope, and, smiling, Evola's long and sweet sadness to give us Songs in the magic of Greek poetry freer than Art. The other is my Ronald de Carvalho, the epic poet of the "Glorious Light" in the entire Brazilian dynamism manifests itself in a fantasy of colors, sounds and ways of living and ardent, wonderful game of sun that makes poetry! His art more air now, the new epigrams, not languishing in frivolous pastime that is the virtuosity of the artist. It comes from our soul, lost in wonder at the world and is the victory of culture on terror, and brings us the thrill of a verse, a picture of a word, a sound to the merger of our being in the whole infinite .

The aesthetic remodeling of Brazil started in the music of Villa-Lobos, Brecheret in sculpture, painting Di Cavalcanti, Anita Malfatti, Vicente do Rego Monteiro, Zina Aita, and the young and daring poetry, art will be the release of the dangers threaten the importunate Arcadian, academicism and provincialism.

Regionalism may be a material literature, but not the end of a national literature aspirating the universal. The classic style follows a discipline that hangs over things and not have them.

Now everything in the universe is our fragmented, are the thousand aspects of the whole, that art has to recover to give them the absolute unity. An intimate and intense vibration animates the artist in this paradoxical world that Brazil is the universe, and she can not develop in the forms stiff Arcadian, which is the sarcophagus of the past. Also, the scholarship is death by the cold of art and literature. (...)

The fix that today is not the revival of an art that does not exist. It is the very birth of moving art in Brazil, and, as we have fortunately the treacherous shadow of the past to kill the germination, all promise an admirable "bloom" artistic. And, freed from all restrictions, we will perform in the art universe. Life is short, lived in their profound aesthetic reality. The Love itself is a function of art, because it performs the integral unity of the whole magic of the infinite forms of being loved. On the universality of art are its strength and eternity. To be universal we do all our sensations aesthetic expressions, which lead us to the longed-for cosmic unity. That art is true to herself, let to the private moments and then terminated by the painful tragedy of the human spirit of the great wild exile of separation of the Whole, and transport by vague feelings of shapes, colors, sounds, feels and flavors of the merger on our glorious universe.

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